Nesta série documental de 4 episódios, com a ajuda de vários historiadores, a RTP Antena 2 propõe uma viagem no tempo. Lembramos como era o país há um século, identificamos as motivações essenciais para o golpe, recordamos os contornos da ação militar e as suas consequências. Um século volvido, com os populismos em alta em vários países, avalia-se também a utilidade e atualidade de uma reflexão sobre este período da História.
O Golpe que derrubou a Primeira República estreou a 2 de Maio, e tem música original e pós-produção áudio de Paulo Cavaco, pesquisa de arquivo de Sónia Ferreira e realização de João Paulo Baltazar.
Militares divididos e Salazar à espreita
Os golpistas de 28 de Maio de 1926 têm propósitos diversos quanto ao desenlace da Ditadura Militar que é instaurada no país.
A ideia de que “o exército constituiu um corpo unido e salvífico da República” é o primeiro de três mitos que, no entender do historiador Fernando Rosas, foram rodeando estes acontecimentos. O segundo “é o mito de que a República caiu sem resistência” e o terceiro “de que a Ditadura Militar foi uma espécie de tapete estendido para Salazar chegar ao poder”.
No terceiro episódio desta série documental, lembram-se as tensões entre as diferentes fações militares e o modo como, depois das dúvidas dos primeiros momentos sobre o rumo dos acontecimentos, a revolta estalou e foi duramente reprimida.
Entre 1927 e 1931 há em Portugal “uma guerra civil larvar”, nas palavras de Fernando Rosas, num processo que ficará conhecido como “reviralhismo”. Na revolta de 1927, que começou no Porto e acabou por estender-se a Lisboa, “há mais militares e políticos nas ruas do que no 5 de Outubro de 1910” lembra o historiador Luis Farinha.
Já com Óscar Carmona na presidência da República, Salazar vai começar a edificar o seu projeto político, o Estado Novo, que resistirá até novo golpe militar, em 1974.
João Paulo Baltazar

Revolta do Porto em Fevereiro de 1927. Fonte: Arquivo Municipal de Lisboa
