No segundo episódio de A Volta ao Mundo, a viagem de André Pinto vai até à música do Médio Oriente e da Ásia, cruzando-a com Mozart, e integrando-a na efeméride celebratória dos 270 anos do compositor austríaco.
Mozart in Egypt
Em meados da década de 1990, o músico Hughes de Courson explora novas fusões entre o clássico e o internacional.
Encontra um novo colaborador no produtor e compositor franco-argentino Tomas Gubitsch, com quem trabalha no disco de 1994, Lambarena: Bach to Africa, que em homenagem a Albert Schweitzer, combina a música religiosa de Johann Sebastian Bach com a música de África, em especial do Gabão e depois em Songs of Innocence, que junta canções e interpretações instrumentais de crianças de todo o mundo com música para orquestra sinfónica.
O projeto Mozart in Egypt, em 1997, combina as famosas melodias de Mozart com sons do Médio Oriente e da Ásia. É seguido por um segundo volume em 2005.
Hughes de Courson é um bom exemplo da possível fusão entre a música clássica e a música do mundo e tem procurado consistentemente alargar o alcance das suas capacidades e atividades musicais ao longo da sua distinta carreira de mais de 50 anos, que começa pelo grupo francês de música folclórica Malicorne e abraça uma nova carreira como impulsionador da fusão musical de grande escala.
…Em Mozart l’égyptien ou Mozart in Egypt, Courson cruza a música de Wolfgang Amadeus Mozart com a música tradicional do Egipto.
Esta experiência de fundir música clássica com outro género musical funciona aqui, e funciona muito bem. Ajuda, o facto de a música egípcia possuir a complexidade e a profundidade emocional necessária para acompanhar a música de Mozart.
Um dos andamentos mais famosos do compositor, a abertura da Sinfonia n.º 40, é combinada com uma das melodias mais famosas do Médio Oriente, Lama Bada Yata-thenna.
Os confrontos individuais são ainda mais ousados, como no Concerto para Oud e Piano nº 23, onde o oud interpreta um daqueles longos prelúdios típicos da música árabe que conduzem, como que por magia, ao tema do piano, no qual se entrelaça e do qual se autonomiza.
Esta peça, assim como as outras do álbum, conta com arranjos do próprio Hughes de Courson em conjunto com outros músicos.
O ponto alto do álbum é uma versão híbrida do Requiem com canto islâmico. É possível ouvir esta peça e perceber um tipo de música que nunca existiu em nenhum país, a não ser no país da imaginação.
André Pinto
