No quarto episódio da série Miles Davis: 100 anos, Rui Miguel Abreu explora o extraordinário período elétrico que, entre o final da década de 1960 e meados dos anos 70, transformou profundamente a música de Miles Davis e redefiniu os horizontes do jazz.
A partir de álbuns fundamentais como In A Silent Way, Bitches Brew, A Tribute to Jack Johnson, On the Corner, Agharta e Pangaea, acompanhamos a forma como Miles se aproximou das energias criativas do seu tempo — do rock de Jimi Hendrix ao funk de Sly Stone e James Brown — para construir uma linguagem nova que continua a suscitar debate mais de meio século depois. Ao longo do episódio, procuramos perceber porque sentiu Miles necessidade de mudar novamente e como essa inquietação permanente o levou a desafiar sucessivamente as expectativas do público, da crítica e até dos seus mais fiéis admiradores.
Para nos ajudar a compreender este período decisivo, ouvimos as reflexões do crítico Philip Freeman, autor do influente Running the Voodoo Down, do crítico Gonçalo Falcão, do maestro e pedagogo Pedro Moreira e de Jason Miles, músico e colaborador próximo de Miles Davis nas últimas fases da sua carreira. Através das suas leituras, e também de declarações do próprio Miles recolhidas numa entrevista de 1969, este episódio propõe uma reavaliação de uma fase frequentemente reduzida à polémica da electrificação, mostrando antes um artista que continuava a fazer aquilo que sempre fizera melhor: procurar a próxima forma de avançar.
Rui Miguel Abreu
