O episódio desta semana de A Voz das Cores, da autoria de Andrea Lupi, é dedicado a um exemplo notável do Barroco Holandês, da técnica de Trompe l’Oeil, ao criar uma ilusão de ótica de profundidade de tal modo realista que os instrumentos parecem distanciados da tela.
Trompe l’oeil com instrumentos musicais
A pintura representa um conjunto de instrumentos musicais que se encontram pendurados numa parede. Da esquerda para a direita, numa representação realista, vê-se uma corneta, um violino com o seu respetivo arco, uma charamela e três flautas de bisel de diferentes cores e tamanhos. Todos os instrumentos pendem de fios que estão presos por pregos. Para dar mais ênfase ao caráter realista da imagem, há uma fonte de luz, ausente, que produz uma sombra projetada.
A obra está assinada por J.H.B., com a data de 1664. A assinatura surge igualmente representada como um trompe l’oeil, escrita num papel que está colado à parede, no canto inferior direito.
Não é possível identificar o seu autor mas, pela temática e datação, aproxima-se muito das representações de instrumentos do pintor flamengo Cornelis Norbertus Gysbrechts (1630 – 1683). No Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo, há outra pintura em trompe l’oeil, com gravuras religiosas, cuja autoria é atribuída a Marcos Fernández Correa, de Sevilha.
Como se fosse um instantâneo do interior da casa de um músico, a imagem revela o gosto pelo corriqueiro, pelo vivido. O lado pragmático da representação faz refletir sobre a profissão de músico.
Assim, o programa conta com música de Carolus Hacquart, Arcangelo Corelli, José de Torres, Haydn, Mozart e Beethoven.
Andrea Lupi

Trompe d’Oeil com instrumentos musicais
J.H.B., 1664
© Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo
Museus e Monumentos de Portugal, E.P.E / Arquivo de Documentação Fotográfica
Fotografia de Luísa Oliveira / José Paulo Ruas