A Volta ao Mundo faz a celebração Brahms com o agrupamento alemão Tworna. Este trio executa o estilo de música tradicional que Brahms procurou elevar à categoria de ‘música erudita’, sendo pois intérpretes contemporâneos de um estilo que Brahms tanto apreciava como popularizou.
Agrupamento Tworna – a modernidade da mesma música folclórica tradicional do folclore alemão que inspira Brahms
O reportório dos Tworna inspira-se nas mesmas tradições folclóricas que Brahms usou, podendo ser considerado uma ligação moderna para chegar à música folclórica alemã tradicional, uma importante fonte de inspiração para Brahms.
Brahms tinha uma admiração profunda pela música folclórica e incorporava elementos do folclore alemão, austríaco e húngaro, em várias composições ao longo de toda a carreira, considerando-os fonte de autenticidade, simplicidade e profundidade emocional.
Criou mais de duzentos arranjos de canções folclóricas, em especial na obra Deutsche Volkslieder, Canções Folclóricas Alemãs, que junta 49 canções populares tradicionais alemãs e que é publicada em finais do século XIX; é considerada a obra-prima de Brahms neste género específico de composição. Consiste em arranjos para piano e voz de baladas narrativas, lamentos e canções de amor, com letras focadas em várias emoções e também em temas bucólicos.
Brahms tem também Canções Folclóricas para Crianças, uma primeira incursão na área da recolha folclórica e de arranjos de canções folclóricas.
A ligação pessoal era profunda; o interesse de Brahms pela música folclórica começa na infância, influenciado pelo pai que tocava em bandas filarmónicas, por vezes pelas ruas de Hamburgo.
Brahms não considerava a música folclórica um tema académico, mas sim uma forma de arte em estado vivo que valorizava e integrava na sua própria produção artística.
Os Tworna são um trio que tem uma vasta gama de influências, abrangendo uma ligação entre dois universos: as canções tradicionais que vão do século XIII até ao século XIX e a música pop e a world music contemporânea.
Tworna é o nome eslavo da aldeia de Quohren, na Alemanha, onde Caterina Other e Frieder Zimmermann vivem e onde fundaram o trio. O nome Tworna refere-se a Dvorane, a deusa da criatividade.
O cruzamento faz-se através de arranjos experimentais e com dinâmicas surpreendentes. O trio utiliza um conjunto de instrumentos de cordas múltiplas no verdadeiro sentido da palavra: guitarra e baixo, mas também nyckelharpa sueca e o chamado cistre da floresta, instrumento da família do bandolim.
Outra marca da banda é o canto expressivo de Jessica Jäckel, complementado por pandeireta, cajón, e pelo instrumento de percussão de origem germânica chamado diabo-da-floresta.
O trio é assim formado por: Jessica Jäckel: voz, sitar da floresta e percussão, Caterina Other: nyckelharpa, percussão e voz, e Frieder Zimmermann: guitarra, baixo, percussão e voz.
Em foco, um excerto do álbum de estreia, Tworna, pelo qual o trio recebeu o Prémio da Crítica Musical Alemã em 2021.
André Pinto