Van Dyck em Arte & Moda
Anton van Dyck - Retrato de Homem & Cristóbal Balenciaga - Casaco

Van Dyck em Arte & Moda

A Voz das Cores

Van Dyck em Arte & Moda

Van Dyck em Arte & Moda

A Voz das Cores

O episódio desta semana de A Voz das Cores, da autoria de Andrea Lupi, é dedicado a duas obras expostas em diálogo na exposição sobre arte e moda, atualmente na Gulbenkian: uma pintura do retratista flamengo Van Dyck justapõe-se uma veste da Casa Balenciaga.

Van Dyck em Arte & Moda

“A moda tornou-se gradualmente um poderoso meio de comunicação, refletindo normas sociais, exprimindo poder e revelando condições económicas. Para além da sua função material, a roupa que usamos é um elemento constitutivo da identidade, e o seu papel comunicativo permanece enraizado na língua e na cultura. Através dos seus componentes, características e simbolismo, as peças de vestuário participam ativamente na construção das identidades dos seus utilizadores. Os materiais eram escolhidos pelo seu valor e significado político.”

Para celebrar as cumplicidades entre Arte e Moda, a Fundação Calouste Gulbenkian propõe um diálogo transversal entre a moda e a coleção de arte do Museu Gulbenkian. Até 21 de Junho, na Galeria Principal do seu edifício sede, a exposição Arte & Moda estabelece correspondências visuais – de matérias, cores, formas ou intenções – entre obras de arte (pintura, escultura, artes decorativas, joalharia) e extraordinárias peças de vestuário, também elas autênticas obras de arte.

Anton Van Dyck (1599-1641) foi um prodigioso pintor da região da Flandres, filho de um rico comerciante de sedas. Por volta de 1620/21 pintou um retrato de homem que hoje integra a coleção Gulbenkian. Apesar de não ter sido identificado, através da análise da pintura podemos observar e tirar conclusões acerca do estatuto social do homem representado.
Vestido de preto, cor usada pela elite, o homem interpela-nos através do seu olhar intenso. As mãos, cuidadas, exibem dois anéis com pedras. Uma mão apoia-se numa cadeira espanhola, com couro e tachas, enquanto a outra mão cai ao longo do corpo, mostrando uma manga branca como a gola, sendo preto e branco as duas únicas cores que enverga.
Atrás de si estão as bases de três colunas de pedra e um corrimão, o que nos coloca entre um espaço interior/exterior, reforçado pela verdura da paisagem e pelo céu. Um panejamento vermelho no topo direito da composição confere um pouco de dramatismo à cena. As linhas de composição ascendentes, que acompanham as diagonais do corrimão até ao pano vermelho, atravessando o eixo do olhar, reforçam ainda mais a sensação de poder, controlo e solidez.
Seja pelo aprumo, pela postura, roupa, acessórios, espaço ou olhar, tudo nos dá a indicação da posição de poder e autoridade do homem representado. A mesma seriedade, luxo e autoridade é dada pela peça de vestuário da Casa Balenciaga que dialoga com a tela de Van Dyck.

Todas estas características, assim como a época em que a pintura foi feita, foram o ponto de partida para as obras musicais de Sweelinck, Gesualdo e Peter Philips, mas também de Mozart, Tchaikovsky, Verdi e Bruckner – com excertos de obras que serão interpretadas na temporada 26/27 da Gulbenkian Música.
Andrea Lupi

Em 1º plano:
Cristóbal Balenciaga para Eisa
Casaco
Haute couture 1950
Gorgorão de seda
MUDE, Lisboa
MUDE/Coleção Francisco Capelo/MUDE.M.0652
Anton van Dyck
Retrato de Homem
Flandres, c. 1620-1621
Óleo sobre tela
Museu Calouste Gulbenkian, inv. 113
Fundação Calouste Gulbenkian. Foto: © Jon Cazenave