No dia de Santo António, o episódio desta semana de A Voz das Cores, da autoria de Andrea Lupi, traz duas obras de duas pintoras portuguesas que nasceram neste dia, Aurélia de Sousa e Vieira da Silva.
Santo António, Aurélia de Sousa e Vieira da Silva
A 13 de Junho de 1231 morreu Fernando (de Bulhões?), que ficou para a História como Santo António. Natural de Lisboa, viveu em Coimbra antes de ir para a Itália, onde ingressou no Capítulo Geral da Ordem de Assis, fundada por São Francisco de Assis.
Canonizado no ano a seguir ao da sua morte, Santo António de Lisboa e de Pádua, cidade onde faleceu, é Doutor da Igreja e um dos mais adorados santos católicos.
Nas palavras de Marta Bernardes, num ensaio publicado na edição Raiz Fasciculada, a propósito da obra Santo António da pintora Aurélia de Sousa:
Agustina (Bessa Luís), na sua sóbria, sólida, erudita e pujante forma de romancista entrega-nos Santo António como um projecto de humanidade e de reino de Deus, um projecto de literatura e de poética como uma união de opostos não excludentes: o profano e o santo, o terreno e o espiritual, o corpóreo e o intangível, o racional e o irracional, a escrita e a oralidade, a emoção e a mesura, o medievo das muitas línguas e do microcosmos e, ao mesmo tempo, o alcance de um falar que a todos toca e em todos vibra, que se veste já de um sentimento macrocósmico.
13 de Junho foi também o dia em que nasceram duas das maiores artistas portuguesas – Aurélia de Sousa (1866-1922) e Maria Helena Vieira da Silva (1908/1992). As duas artistas estarão reunidas, lado a lado, no Centro de Arte Contemporânea de Coimbra. Entre 18 de Junho e 26 de Setembro de 2026, a exposição Pares Ímpares apresenta, entre outros, as telas Romãs, de Aurélia de Sousa, e Moi, réflechissant sur la peinture, de Vieira da Silva.
Na cidade do Porto a antiga Casa Marta Ortigão Sampaio, agora renomeada Museu Aurélia e Sofia de Sousa, reabre as suas portas a 13 de Junho de 2026. Aqui poderá ser visitada uma larga coleção artística das irmãs Aurélia e Sofia de Sousa, entre as quais a tela Santo António, um auto-retrato de Aurélia de Sousa.
Todas estas efemérides proporcionam um episódio antonino, com música de Zacaro da Teramo, Gustav Mahler, Johannes Brahms, Cláudio Carneiro, Paul Hindemith e Béla Bartók.
Andrea Lupi
