A Volta ao Mundo faz a celebração Vivaldi com intersecções entre os grandes compositores do Período Barroco e o mundo da música cigana e húngara, em releituras de virtuosismo técnico, teatralidade e humor.
Vivaldi pela música cigana, com os Red Priest
O agrupamento Red Priest funde a música dos mestres da Era Barroca com improvisação, citações musicais inesperadas e melodias folclóricas de influência cigana.
Conhecidos como The Baroque Bohemians, os Boémios do Barroco, são um quarteto barroco britânico de projeção internacional.
O seu nome, Red Priest, é homenagem direta a Vivaldi, que tinha a alcunha de Il Prete Rosso (O Padre Vermelho), por ter sido ordenado padre, em Veneza e ter o cabelo ruivo.
Quando o virtuoso da flauta de bisel Piers Adams funda o agrupamento em 1997, tem o objetivo de romper com a imagem tradicionalmente rígida e polida da música de câmara erudita.
Ele afirma que Vivaldi foi uma verdadeira estrela de rock do seu tempo — extravagante, bem teatral e um intérprete brilhante. E ao adotar este nome, o quarteto incorpora assim o espírito ousado e fogoso de Vivaldi.
Em 2003 editam Vivaldi: The 4 Seasons, álbum aclamado e cujo lançamento marca a ascensão e define a identidade dos Red Priest. Fiel ao estilo característico do agrupamento, o disco apresenta uma releitura revolucionária e vibrante da obra-prima de Vivaldi, As Quatro estações, os Quatro concertos para violino. O álbum é um sucesso internacional e garante um lugar na lista da revista Gramophone que o inclui entre as melhores gravações de sempre desta obra, com a crítica a elogiar a ousada mistura de virtuosismo técnico, teatralidade e humor.
Outro dos lançamentos do grupo é The Baroque Bohemians, álbum de 2017, também com forte presença de obras de Vivaldi. O disco explora a intersecção entre os grandes compositores do Período Barroco e o mundo dos músicos ciganos. Também este projeto conceptual chega ao primeiro lugar nas tabelas de música clássica do Reino Unido.
Os Red Priest têm como ponto de partida peças clássicas, reinventando-as sob a perspetiva vibrante e improvisada de um grupo cigano da Europa Central ou de Leste, reunido à volta duma fogueira. A fusão é feita, combinando, com harmonia, formas musicais clássicas com melodias folclóricas tradicionais.
Dos clássicos reinventados em leituras ciganas, o destaque vai para a versão do Concerto para Violino referência de catálogo Rv. 356 de Vivaldi, que faz parte do conhecido conjunto de obras L’Estro Armonico e ao qual o agrupamento dá o título de The Priest and the Gypsy (O Padre e a Cigana). Um arranjo singular — com influências de música folclórica cigana e húngara.
Do seu álbum Pirates of the Baroque vem o dramático Concerto para flauta – Tempesta di Mare (A Tempestade no Mar), de Vivaldi. A representação estruturada de uma tempestade marítima feita por Vivaldi é transformada numa experiência intensa e vanguardista com técnicas muito pouco convencionais.
André Pinto
