Augusto Abelaira é hoje recordado na Última Edição e n’A Ronda da Noite de hoje numa conversa que Luís Caetano teve com o escritor no programa A Gosto de…, em 1997, falando da paixão pela música, que descobriu primeiro através dos livros, lendo por exemplo sobre a vida de Beethoven, e que levou depois para os seus próprios livros.
É ainda lido um excerto do romance Outrora Agora, em que a Antena 2 entra na efabulação que um personagem faz de um carro parado, de onde sai uma mulher que o deixa fascinado.
Uma literatura de dúvidas e inquietações, impasses e desencontros.
Ouvimo-lo também no pós-25 de Abril, perplexo, perante o lugar do escritor depois de 48 anos de censura e opressão.
A obra de Augusto Abelaira conheceu novas edições na chancela Minotauro, do Grupo Almedina, entre 2022 e 2024.

Augusto Abelaira
(Ançã, Cantanhede, 18 março 1926 – Lisboa, 4 julho 2003)
Professor, romancista, dramaturgo, cronista, jornalista e tradutor.
É considerado um dos responsáveis pela renovação da ficção portuguesa da segunda metade do século XX. Literariamente estreou-se com A Cidade das Flores (1959), e publicou quase duas dezenas de livros entre romance, teatro e contos. Recebeu vários prémios literários, entre os quais o Prémio Ricardo Malheiro (para o romance As Boas Intenções, 1963) e o do PEN Clube (para o romance Outrora Agora, 1996).
Homem das letras e da cultura, integrou o movimento neorrealista, tendo uma intervenção cívica discreta mas ativa. Foi detido pela PIDE aquando da atribuição do prémio da Sociedade Portuguesa de Escritores a Luandino Vieira.
Colaborou em vários periódicos, como as revistas Almanaque, Mundo Literário, e Gazeta Musical e de Todas as Artes, e jornais como Diário Popular, O Século, O Jornal, Diário de Lisboa, JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias. Foi diretor da Seara Nova (1968-1973) e da Vida Mundial (1974-75).
Após a revolução, foi diretor de programas na RTP (1977-78) e presidente da Associação Portuguesa de Escritores (1978-79).
Em 1997, foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada.