VII Festival de Música Dom Fernando Mascarenhas

VII Festival de Música Dom Fernando Mascarenhas

Palácio Fronteira

VII Festival de Música Dom Fernando Mascarenhas

VII Festival de Música Dom Fernando Mascarenhas

Palácio Fronteira

16, 17 e 18 abril 2026
Palácio Fronteira

Música e Património: Paixões e Provocações
A Fundação das Casas de Fronteira e Alorna foi fundada há trinta e nove anos por Dom Fernando Mascarenhas (1945-2014), que a dedicou à defesa, conservação e investigação do património cultural em todas as suas vertentes. Celebrando a memória desse gesto fundador, a Fundação das Casas de Fronteira e Alorna, em parceria com a RTP Antena 2, apresenta o VII Festival de Música Dom Fernando Mascarenhas através de três dias de festa, dedicados à música e ao património, no Palácio Fronteira.
Um programa variado em que colaboram músicos de renome e jovens talentos, além de profissionais da música, unidos pela vontade de desfrutar e de transmitir o amor pelas coisas da cultura.

A RTP Antena 2 transmite em direto os 4 concertos, com apresentação de João Almeida.
Os concertos serão vídeo-gravados e as mesas redondas áudio-gravadas para disponibilização posterior na página da RTP-Antena 2.

Programação

16 abril | 17h30
Sala das Batalhas

Mesa-Redonda O 2.º Marquês de Alorna e o Processo dos Távora
Com Nuno Gonçalo Monteiro e Leandro Correia
Moderação de João Almeida – RTP Antena 2

16 abril | 19h00
Galeria das Artes

Concerto Focus Sax Quartet
Gonçalo Baião, saxofone soprano
Miguel Maia, saxofone alto
Tomás Martin, saxofone tenor
Miguel Jesus, saxofone barítono

Programa

Pedro Iturralde (1929-2020) – Memórias

Jean Rivier (1896-1987) – Grave et presto

Takatsugu Muramatsu (1978-) – Far Away (arr. Makoto Asari)

Jérôme Naulais (1951-) – Toquades I e III

Alberto Janes (1909-1971) – Foi Deus (arr. Afonso Alves (1951-)

Nuno Nazareth Fernandes (1942-) – A Desfolhada

José Afonso (1929-1987) – Vejam Bem

Madredeus – O Pastor

Astor Piazzolla (1921-1992) – Libertango

17 abril | 17h30
Sala das Batalhas

Mesa-Redonda Dom Fernando Mascarenhas: Vida e Obra
Com Cristina Castel-Branco e José Pedro Serra
Moderação de João Almeida – RTP Antena 2

17 abril | 19h00
Pátio de Entrada

Concerto Coro Comtradição
O Duelo: Monteverdi e Croce
Direção de Rui Teixeira

Programa

Claudio Monteverdi (1567-1643) – Ritornello da ópera L’Orfeo – entrada instrumental

Claudio Monteverdi (1567-1643) – Il combattimento di Tancredi e Clorinda – português

Mário Ribeiro (1898-1966) – E amando-a morrerei

Anónimo (c. 1350) – Lamento di Tristano – Intermezzo instrumental

Giovanni Croce (1557-1609) – Canzon del Cucco e Rossignuolo – português

O Duelo: Monteverdi e Croce
2 duelos, 2 compositores:
No madrigal dramático de Monteverdi, Tancredo, guerreiro cristão, e Clorinda, guerreira muçulmana, enfrentam-se em batalha. Clorinda, velada pela veste de guerreiro, oculta a sua identidade a Tancredo. Morre em combate, para grande sofrimento de Tancredo, que a lamenta numa peça de Mário Ribeiro. Croce, no madrigal cómico O Cuco e o Rouxinol, coloca em oposição estes dois contendores. Exibindo à vez os seus talentos vocais, entre tiradas jocosas e picardias, assistimos à decisão final do juiz… um papagaio, quem mais? O concerto termina com uma celebração de toda a floresta: Viva o Cuco!

18 abril | 16h00
Sala Juno

Concerto Rebeca Csalog, harpa
Uma Carta para o Fim dos Tempos

Programa

Béla Bartók (1881-1945) – Romanian Folk Dances: In one spot / Pe loc (N.º 3) (1915)

Erik Satie (1866-1925) – Gnossiennes n.º 1 – 5 (1893)

Olivier Messiaen (1908-1992) – Quatuor pour la fin du Temps: Louange a l’Éternité de Jésus (V) (1941)

John Cage (1912-1992) – In a Landscape (1948)

Carlos Paredes (1925-2004) – Canção Verdes Anos (1967)

Ottorino Respighi (1879-1936) – Notturno (1904)

Arvo Pärt (1935-) – Spiegel Im Spiegel (1978)

Em 1941, no campo de concentração de Stalag, o compositor Olivier Messiaen escreveu Quatour pour la Fin du Temps, uma peça que se tornou uma referência de beleza e esperança em tempos catastróficos. Crescemos na ilusão de que esse período pertence ao passado, que foi uma anomalia histórica. Hoje, porém, a noção de fim dos tempos é-nos inquietantemente próxima. Quando olhamos à nossa volta, não podemos deixar de perguntar qual o nosso lugar no desvelar da História. A partir de um desafio lançado pela Casa Cheia, Rebeca Csalog convidou a filósofa e investigadora Camila Lobo para criar um espetáculo onde se confronta a possibilidade do fim dos tempos através de narrativas textuais e musicais, num gesto de memória e resistência às ameaças que caracterizam o atual momento histórico. A harpa surgiu como veículo de reflexão, criando um espaço sonoro a partir do qual se interroga o presente. Este recital surge dessa residência artística, e da pesquisa musical que dela resultou, trazendo para o Palácio Fronteira uma versão apenas instrumental do espetáculo criado nesse contexto. Todas as peças foram transcritas, adaptadas ou arranjadas para harpa solo por Rebeca Csalog. O resultado é uma carta que é, afinal, para o futuro.

18 abril | 17h30
Sala das Batalhas

Mesa-Redonda Entre Azulejos e Quadros
Com José Meco e Alexandra Markl
Moderação de João Almeida – RTP Antena 2

18 abril | 19h00
Sala das Batalhas

Concerto Ensemble Galanterie
Galanterie à Versailles: o teatro íntimo das paixões

Calebe Barros, barítono
Nuno Mendes, violino
Hugo Paiva, violoncelo
Daniel Oliveira, cravo

Programa

Louis-Nicolas Clérambault (1676-1749) – Polyphème, Cantate IVè à voix seule et symphonie

          1. Polyphème inquiet
          2. Ah, rendez-moi votre présence
          3. Mais je l’appelle en vain
          4. Vengez-moi d’un fatal vainqueur
          5. Le terrible fils de Neptune
          6. Amants jaloux rompez vos chaines

Louis-Nicolas Clérambault (1676-1749) – L’Abondance, Sonate pour violon, basse de viole et basse continue

Joseph Bodin de Boismortier (1689 – 1755) – L’Automne, Op. 5

          1. Où suis-je? de quel bruit retentissent les airs?
          2. Chantons, dansons, et qu’on nous verse à boire
          3. Mais profitant des beaux jours de l’Automne
          4. Coule dans nos veines
          5. Quel est donc de mes sens
          6. En vain la plus fière beauté
          7. C’en est fait, à Bacchus

Jean Philippe Rameau (1683-1764) – Thétis

            1. Prélude
            2. Récitatif (Muses, dans vos divins concerts)
            3. Air (Volez, tyrans des airs)
            4. Récitatif (Neptune en ce moment)
            5. Air (Partez, volez, brillants éclairs)
            6. Récitatif (Quel aveugle transport vous guide?)
            7. Air (Beauté qu’un sort heureux destine)

Galanterie à Versailles: o teatro íntimo das paixões
Este programa convida-nos a transpor os portões dourados de Versalhes, mas não necessariamente para a grandiosidade cerimonial da Chambre du Roi sob Luís XIV. Em vez disso, adentramos os salões mais íntimos, os appartements privados e os círculos aristocráticos da Regência e do reinado de Luís XV. É aqui que floresce o Style Galant – uma estética que privilegia a melodia cantável, a elegância refinada e a expressão imediata dos afetos, afastando-se progressivamente da complexidade contrapontística severa do século anterior.
O programa centra-se na Cantata Francesa, um género que o musicólogo James R. Anthony descreveu perfeitamente como “uma ópera em miniatura para a sala de estar”. Nascida do desejo de conciliar a déclamation lírica francesa com o fogo e o virtuosismo da música italiana (os chamados Goûts Réünis), a cantata tornou-se o veículo predileto para a galanterie: histórias mitológicas de amor, triunfo e natureza, contadas com graça e agilidade.