As lições e os paralelos da História
Salazar posa para o escultor Francisco Franco para o seu busto, na presença de António Ferro, 1936. Arquivo Diário de Notícias

As lições e os paralelos da História

O golpe que derrubou a Primeira República

As lições e os paralelos da História

As lições e os paralelos da História

O golpe que derrubou a Primeira República

Nesta série documental de 4 episódios, com a ajuda de vários historiadores, a RTP Antena 2 propõe uma viagem no tempo. Lembramos como era o país há um século, identificamos as motivações essenciais para o golpe, recordamos os contornos da ação militar e as suas consequências. Um século volvido, com os populismos em alta em vários países, avalia-se também a utilidade e atualidade de uma reflexão sobre este período da História.
O Golpe que derrubou a Primeira República estreou a 2 de Maio, e tem música original e pós-produção áudio de Paulo Cavaco, pesquisa de arquivo de Sónia Ferreira e realização de João Paulo Baltazar.

As lições e os paralelos da História

Os acontecimentos de Maio de 1926 foram sendo recordados, ao longo dos tempos, mas nem sempre com a mesma avaliação. Durante o Estado Novo, o movimento que acabou com o sistema parlamentar, multipartidário foi enaltecido como uma “Revolução Nacional” que levou à “alteração da essência e da estrutura do Estado”, como lembrava Salazar em 1966, em Braga, nas cerimónias evocativas com direito a estátua de Gomes da Costa. Já depois do 25 de Abril, por entre a turbulenta consolidação da democracia, houve quem prevenisse para o lado mais sombrio da História. Em Maio de 1978, o primeiro presidente da Assembleia da República, Vasco da Gama Fernandes, desabafava ao microfone da rádio pública: “Os 28 de Maio são sempre possíveis, há sempre um 28 de Maio que espera por nós!”.

Que utilidade e atualidade pode ter, em 2026, uma reflexão sobre os acontecimentos ocorridos em Portugal há um século?
Os historiadores que nos acompanharam nesta série documental não escondem preocupação com o crescimento dos movimentos e partidos populistas, num ambiente global de incerteza, conflitos e rearmamento. Fernando Rosas socorre-se de palavras do italiano Antonio Scurati, autor de uma recente biografia de Mussolini, para resumir o grande propósito da extrema-direita: “é preciso transformar o medo em ódio e o ódio em política”.
João Paulo Baltazar

Manifestação do Grupo 1143, em 2024. Foto de Rodrigo Antunes / Lusa