Janeiro de 2026 é o mês Mozart na Antena 2 e, esta semana, um dos pontos altos na lista de novos discos da Supernova também nos remete para o compositor nascido em Salzburgo há 270 anos.
A Orquestra de Câmara Folkwang de Essen e o maestro Johannes Klumpp, especialista em Mozart, dão continuidade ao projeto de gravação das obras sinfónicas completas de W.A. Mozart com o 5º volume de uma série, com selo Genuin, já aclamada pelo irrepreensível nível artístico. Desta vez interpretam as Sinfonias nos 8 (Re M), 22 (Do M), 23 (Re M) e 39 (Mib M), numa mostra da prodigiosa diversidade e do poder expressivo desarmante da escrita sinfónica mozartiana num período de 20 anos (entre 1768 e 1788).
O novo mergulho do grupo Café Zimmermann na obra de Vivaldi chama-se Masques, álbum que inclui uma seleção eclética de árias de ópera, a Abertura de Il Bajazet, um Concerto para violino, um para flauta e outro para duas trompas e, ainda, a Introdução Longe mala, umbrae, terrores, RV 640 — o bastante para cobrir ópera, música concertante e música sacra. As árias escolhidas são para contralto, interpretadas pelo contratenor Paul-Antoine Bénos-Djian, sob a direcção de Pablo Valetti.
O 3º álbum com Shea Lolin a dirigir o Ensemble de Sopros da Filarmónica Checa revisita a fascinante história da Harmoniemusik que emergiu no início do séc. XVIII. Esse repertório teve uma evolução importante ao longo do séc. XIX e o processo culminou nas salas de concerto, com composições de criadores do calibre de A. Dvořák ou R. Strauss. Frisson contém arranjos de Lolin de obras que ilustram este percurso histórico, como a Partita em Fa M, Op.57, de F. Krommer, a Serenata, Op.7, de R. Strauss, o Concertino, Op. 107, de Chaminade e excertos da Suite Romeu e Julieta, de C. Lambert; há, ainda, uma obra original de G. Woolfenden, intitulada More Guardian Knots (2010).
As 6 Sonatas para duas flautas de Wilhelm Friedemann Bach, descritas por Steven Zohn como “obras-primas em miniatura”, foram redescobertas e publicadas há pouco menos de um século e, desde então, tornaram-se parte integrante do repertório para flauta interpretado, tanto em instrumentos históricos, como modernos. Sem hesitações, Manuel Granatiero e Eleonora Bišćević empenharam-se na gravação desses tesouros e o disco está agora disponível no catálogo Arcana.
Supernova termina com o destaque ao derradeiro volume dos Quartetos para cordas de D. Chostakovich pelo Cuarteto Casals. Os três últimos, nos 13, 14 e 15, foram escritos pelo compositor russo entre 1970 e 1974 e representam um clímax na sua obra.
Inês Almeida