The Blues Never Die
Otis Spann tocando com a banda de Muddy Waters no Festival de Jazz de Newport de 1960. Foto de Victor Kalin

The Blues Never Die

Noites Azuis

The Blues Never Die

The Blues Never Die

Noites Azuis

No primeiro episódio de Noite Azuis, uma pergunta e uma resposta.

Toda a gente pergunta
De onde veio o Blues?
Vem lá das planícies
Bem perto da minha quinta. 

Quando estás em apuros
O Blues… é o melhor amigo do homem.
Ele não te pergunta para onde vais
E o Blues… também não quer saber… de onde vieste. 

Não podemos… deixar morrer o Blues
O Blues não quer fazer mal a ninguém.
…Vou voltar para a planície
É de lá que vem o Blues.

Quando estás em apuros
O Blues… é o melhor amigo do homem.

The Blues Never Die, de Otis Spann

The Blues never die, 1964, o pianista e cantor Otis Spann, com uma banda que inclui Junior Wells em harmónica e que conta também o próprio Muddy Waters que assina sob o pseudónimo Dirty Rivers.
Também neste episódio, Big Joe Williams, ele que começa por acompanhar precisamente Muddy Waters e que aqui traz o tema sobre o abandono amoroso, Baby please don’t go.

Segue-se a Memphis Jug Band que gravava para várias editoras e sob vários nomes. É o caso desta música, He’s in the jailhouse now, que é editada sob a designação The Memphis Sheiks.

Por falar em Memphis, Peter Chatman nasce nesta cidade do Tennessee, em 1915. Aliás, o músico é mais conhecido como Memphis Slim, e o seu tema Blues at Midnight, (Blues à Meia-Noite) é um tema bem apropriado para as Noites Azuis.
Memphis Slim que toca na rua mais famosa de Memphis: a Beale Street. Quem também trabalha na Beale Street é o cantor e comediante Rufus Thomas que organiza concursos de talentos em clubes precisamente desta famosa rua. No princípio da década de 50, tem o primeiro sucesso, com Bear cat.

B.B. King. é um dos primeiros vencedores desse concurso de talentos.  Viria ser universalmente declarado o Rei do Blues. No seu último álbum, antes de morrer, grava See That my Grave is Kept Clean. É uma versão duma música escrita por Blind Lemon Jefferson que traz Hangman’s Blues, o Blues do Enforcado !
Por falar em forca… A Donzela libertada da forca, ou no original, The maid freed from the gallows é uma canção folclórica inglesa com vários séculos.

Leadbelly grava a sua interpretação de Gallis Pole. Leadbelly também populariza, nos anos 30, New Orleans, uma música por vezes também chamada The house of the rising sun. E quem faz uma homenagem a Leadbelly interpretando esta música é a cantora Odetta .
Odetta colabora com Sonny Terry que regista Harmonica and washboard breakdown , com harmónica e voz de Sonny Terry, e George Washington em washboard.
Washboard que literalmente significa ‘tábua de lavar’, é um instrumento rudimentar de percussão.
O expoente máximo deste instrumento é o músico e cantor Washboard Sam que grava I just couldn’t help it  acompanhado por Willie Dixon no contrabaixo. Willie Dixon que começa como pugilista, mas que termina como bluesman.

A terminar, uma nota de otimismo com I love the life I live por Willie Dixon, uma das personagens maiores do Blues.

I am the Blues, O Blues sou eu, cantava.

André Pinto