O Gira Discos aproveita esta semana o facto de ter sido recentemente editado o álbum Hauntings para propor um percurso em volta da obra de Richard Barbieri, músico autodidata que ganhou inicialmente notoriedade como teclista dos Japan, um dos grupos mais marcantes que a música pop conheceu entre os últimos anos da década de 70 e a aurora dos anos 80.
Richard Barbieri, londrino, nascido em 1957, começou por trabalhar num banco, numa altura em que se deixava encantar pela música de Brian Eno ou Erik Satie. Colega de escola de David Sylvian, Steve Jansen e Mick Karn (o futuro núcleo dos Japan), deu por si a bordo de uma aventura que acabaria por definir uma das mais importantes discografias art pop do seu tempo. O fim precoce do grupo, que chegou em 1983, libertou-o para diversas outras experiências, tendo passado depois por projetos como os Dolphin Brothers (na verdade uma dupla na qual divida protagonismo com Steve Jansen), mais tarde os No-Man ou Porcupine Tree, tendo também integrado a reunião pontual da formação clássica dos Japan, que juntou para gravar um único disco (em 1991) que foi lançado sob o nome Rain Tree Crow.
Apesar das muitas colaborações e parcerias, a discografia de Richard Barbieri acabou por levar o seu nome às capas dos seus discos com maior destaque. A primeira vez que isso aconteceu foi em 1985 em Worlds In A Small Room, um álbum instrumental criado juntamente com Steve Jansen, no qual se lançavam bases para um interesse pela música ambiental que a obra a solo do músico depois exploraria.
Neste episódio do Gira Discos evocam-se memórias deste disco de 1985, assim como dos Japan e Rain Tree Crow, destacando ainda alguns dos companheiros de trabalho desses dias. Mas o tutano do episódio faz-se escutando a obra a solo de Richard Barbieri, que desponta com o álbum Things Buried já no século XXI e inclui desde então vários outros álbuns, assim como a série de cinco EP Variants (esta lançada entre 2017 e 2018).
Nuno Galopim
