Temporada de Concertos
da Orquestra Sinfónica Portuguesa
Gravação pela RTP Antena 2,
no Teatro Municipal São Luiz, em Lisboa,
a 22 de novembro de 2025
16 maio | 13h00
Grande Auditório
À procura de um som português
Haverá um estilo musical português na música erudita?
Esse foi o desafio da Orquestra Sinfónica Portuguesa num concerto intitulado À Procura de um Som Português, sob a direção de João Paulo Santos e com as vozes solistas de Eduarda Melo e Tiago Amado Gomes.
O programa incluiu obras de Frederico de Freitas, Joly Braga Santos, José Vianna da Motta e Fernando Lopes-Graça, compositores que se inspiraram na música popular e em poesia de autores como Camões, Pessoa, Antero de Quental ou João de Deus.
A anteceder a transmissão do concerto na RTP Antena 2 no próximo sábado, pode escutar uma entrevista, de cerca de 25 minutos, realizada por João Almeida ao maestro João Paulo Santos.
Eduarda Melo, soprano
Tiago Amado Gomes, barítono
Orquestra Sinfónica Portuguesa
Maestro João Paulo Santos
Programa
Frederico de Freitas
– O muro do derrete
– A formosura desta fresca serra (Luís de Camões)
Joly Braga Santos
– Acordando (Antero de Quental)
– Delgadas claras águas do Mondego (de 3 Sonetos de Luís de Camões)
Fernando Lopes-Graça
– O menino da sua mãe (Fernando Pessoa)
– Cantiga de embalar (popular)
– Agora é que ela vai boa (popular)
– Meu lírio roxo (popular)
José Vianna da Motta
– Tristeza (João de Deus)
– Canção perdida (Guerra Junqueiro, orquestração de Pedro de Freitas Branco)
– Lavadeira e Caçador (João de Deus, orquestração de Pedro de Freitas Branco)
Fernando Lopes-Graça – Três danças portuguesas Op.32
– Fandangom
– Dança dos Pauliteiros
– Malhão
Ver Folha de Sala
Ao contrário das principais capitais culturais europeias, as instituições e os públicos portugueses do século XIX resistiram ao desenvolvimento de uma cultura sinfónica nacional. Os últimos anos dessa centúria e, sobretudo, o século XX marcaram uma inversão dessa tendência. No ocaso da Monarquia e, com maior intensidade, durante a ditadura do Estado Novo, o debate em torno da identidade portuguesa e a ascensão de movimentos nacionalistas impulsionaram diversos compositores a traduzir esses anseios através da música orquestral. José Vianna da Motta, Frederico de Freitas, Fernando Lopes-Graça e Joly Braga Santos viriam, assim, a integrar de forma significativa o cânone sinfónico português. A resposta mais evidente a esse desígnio foi, talvez, a composição de sinfonias. No entanto, estes autores também se aproximaram das correntes estéticas do seu tempo, explorando a criação para orquestra através de géneros então em voga, como a canção e o bailado.
Dando continuidade ao compromisso do Teatro Nacional de São Carlos com a redescoberta da produção lírica inspirada em temas nacionais e populares – como a de Vianna da Motta e Lopes-Graça – este concerto propõe ainda revisitar um repertório praticamente esquecido: excertos orquestrais de bailados de Frederico de Freitas – primeiro diretor musical da célebre companhia Bailados Portugueses Verde-Gaio – e de Joly Braga Santos – um dos mais destacados sinfonistas da história da música em Portugal.