Visões na era da eletrónica

Visões na era da eletrónica

Gira Discos

Visões na era da eletrónica

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Gira Discos

Nos 70 anos de Gesang der Jünglinge, o Gira Discos dedica alguns olhares a momentos da história da música eletrónica, evocando sobretudo pioneiros. Ouvem-se ondas martenot e o therein. E também os primeiros sintetizadores. Escutam-se obras de Olivier Messiaen, Wendy Carlos e, claro, Stockhausen. Mas também discos de Tomita, Kraftwerk, Jean Michel Jarre ou dos Art of Noise, entre outros.

Um dos mais importantes compositores da segunda metade do século XX, revolucionário em todas as frentes, com obra que percorre uma vasta demanda pelas potencialidades da criação de sons. Foi ele quem disse, em tempos, que “o que é moderno hoje será tradição amanhã”. Stockhausen viveu sob a consciência desta ideia, não só enquanto criador, como igualmente enquanto homem de música no mundo presente. De resto, foi o primeiro compositor a criar a sua própria editora, a Stockhausen Verlag, na qual concentrou o lançamento discográfico, em CD, dos registos da sua obra desde 1990, tornando-os permanentemente disponíveis aos interessados.

Stockahusen foi aluno de Olivier Messaien e Darius Mihaud. E professor de, entre outros, Emmanuel Nunes, Jorge Peixinho, La Monte Young, Cornelius Cardew ou Holger Czukay. Membros dos Can e dos Kraftwerk chegaram a trabalhar consigo. Era admirado e citado dentro e fora dos circuitos da música “erudita”. Nomes como Miles Davis, Herbie Hancock, Frank Zappa, Björk, Pink Floyd ou Aphex Twin reconhecem a sua influência e Philip K. Dick cita-o em Follow My Tears, The Policeman Said. Os Beatles mostraram-no na capa de Sgt. Peppers
É particularmente importante o trabalho que desenvolveu na área da música eletrónica depois de 1952 (o seu primeiro “estudo” eletrónico nasceu, então, no estúdio de Pierre Schaeffer, o “pai” da música concreta), destacando-se aí obras como Gesang der Jünglinge, que conheceu estreia num estúdio da rádio pública, em Colónia, há precisamente 70 anos.
Nuno Galopim