Todos os meses um grande compositor estará a partir de agora em destaque na Antena 2. A programação diária e também episódios temáticos de vários programas de autor darão expressão a esta celebração que, neste primeiro mês, coincide com os 270 anos do nascimento de Wolfgang Amadeus Mozart.
Ao longo do mês não só ouviremos assim algumas das grandes obras de Mozart na programação diária como teremos oportunidade de reencontrar discos históricos, escutar Mozart em recentes gravações ao vivo cedidas por rádios públicas europeias ou em registos do arquivo histórico da RTP, notar as referências ao compositor no cinema ou observar como o jazz, as músicas dos mundo e até os blues o assimilaram.
A vida e a obra de Mozart estão também em foco numa série de quatro episódios, que são transmitidos todas as quartas-feiras pelas 16h00 e que estão também disponíveis na plataforma RTP Play.
Nestes quatro episódios, viajamos pela vida e música de Mozart. Começando o nosso percurso pela complexa relação entre Wolfgang e o seu pai Leopold, compreendemos o papel vital que este teve na educação formal do seu filho, mas também na mundividência que Mozart adquiriu ao longo de todas as digressões que fez pela Europa.
Onde foi Mozart “beber” o seu vocabulário musical?
Falamos também sobre as idiossincrasias da sociedade europeia do século XVIII e como as mesmas privaram Maria Anna Mozart, a talentosa irmã de Wolfgang, de ter um destaque equiparável ao do irmão nos livros de História da Música.
Exploramos ainda o mundo encantado de A Flauta Mágica e os segredos que revela. Uma oportunidade única para Mozart dar voz ao seu humor e também refletir sobre os símbolos que integravam a sua vida.
Terminamos a nossa viagem com o icónico Requiem, contextualizando a sua criação.
Toda esta viagem é pontuada com breves análises musicais que complementam a biografia com uma apreciação técnica da elegância e genialidade da escrita de Mozart.
Pedro Ramos

Maria Anna, Wolfgang, Anna Maria (medalhão na parede) e Leopold Mozart
Wolfgang Amadeus Mozart nasceu a 27 de janeiro de 1756. Irreverente na sua vida mas extremamente refinado na sua escrita, deixou uma marca indelével na história da música. A sua obra constitui a síntese do período clássico.
Enquanto jovem, viajou pelas mais importantes capitais culturais da Europa e estabeleceu contacto com algumas das figuras mais proeminentes do panorama musical do século XVIII, como Johann Christian Bach e Joseph Haydn, que o moldaram não apenas como compositor, mas também como pessoa.
Em 1781, Mozart abandonou o conforto do seu emprego na corte de Salzburgo e aventurou-se em Viena, tentando viver como músico independente. O seu estilo de vida indulgente, as questões de saúde da sua mulher, Constanze, e a crescente falta de apoio aristocrático à sua atividade como compositor fizeram com que passasse os últimos anos da sua vida a contrair dívidas com amigos.
Morreu em 1791, deixando certamente muito mais para criar e legar. Sobrevive, contudo, uma extensa obra operática, de câmara e sinfónica sem igual, que lhe garante um lugar de destaque entre os maiores compositores de sempre.
Pedro Ramos