O episódio desta semana d’A Voz das Cores, da autoria de Andrea Lupi, anda em torno da relação intertextual entre a pintura O Pesadelo, de 1781, de Johann Heinrich Füssli (John Henry Fuseli), e uma das Variações sobre um tema de Fuseli, de 1973, de António Areal, exposta no Museu do Chiado.
O Pesadelo e a Variação
O Pesadelo que o artista suíço Johann Heinrich Füssli pintou em 1781, e posteriormente em 1790, marcou todo o período Romântico.
A obra, um óleo sobre tela, mostra a perturbadora e bela imagem de uma mulher perdida no seu sono, enquanto tem um pesadelo que inclui um íncubo sentado sobre si, a oprimir a sua respiração, e uma cabeça de cavalo. A separação corpo/psique corresponde ao duplo olhar do pesadelo – visto de fora (a mulher a dormir, sem controle do corpo) e visto de dentro (com as figuras que habitam o seu pesadelo representadas na tela).
O perfeito equilíbrio e contraste entre o horror e o belo, o êxtase e o medo e o claro e o escuro da composição, tornaram esta obra um marco do estilo gótico, com a sua temática sombria e a evocação do tabu sexual.
António Areal (Porto, 1934 – Lisboa, 1978) partiu da pintura de Füssli para uma série de variações que expôs na Galeria São Mamede em Lisboa em 1973.
As obras sugerem composições de Giuseppe Tartini, Richard Strauss, Gyorgy Ligeti, Alexander Scriabin e Maurice Ravel
Andrea Lupi

Variações sobre um tema de Fuseli (1973)
António Areal (1934 – 1978)
Óleo, esmalte e carvão sobre platexa
70 x 82 cm
© Museu Nacional de Arte Contemporânea-Museu do Chiado
Museus e Monumentos de Portugal, E.P.E / Arquivo de Documentação Fotográfica
Fotografia de José Pessoa
