Leonard Bernstein foi uma das figuras mais marcantes e multifacetadas da música do século XX. Maestro, compositor, pianista, professor, divulgador, e homem profundamente inquieto, Leonard Bernstein deixou um legado que ultrapassa as salas de concerto, tendo-se tornado um dos grandes comunicadores do seu tempo. Recusou fronteiras entre géneros e que acreditou, até ao fim, no poder da música como forma de comunicação, de reflexão e de aproximação entre as pessoas.
Leonard Bernstein nasceu em Lawrence, Massachusetts, a 25 de agosto de 1918, numa família judaica de origem ucraniana. Desde cedo revelou grande interesse pela música.
Estudou em Harvard depois no Curtis Institute of Music, e na Berkshire Music Center of the Tanglewood Music Festival. Dos seus professores destacam-se Fritz Reiner e Serge Koussevitzky.
A sua carreira como maestro ganhou uma dimensão inesperada em 1943, quando, aos 25 anos, substituiu Bruno Walter à frente da Orquestra Filarmónica de Nova Iorque, num concerto transmitido pela rádio para todo o país. O sucesso dessa noite lançou-o para a cena musical americana e internacional
Como compositor, Bernstein deixou uma obra muito diversa. Escreveu sinfonias, música de câmara, obras corais, música religiosa, bailado, ópera e música para cinema, mas foi sobretudo através do género musical que alcançou popularidade mundial: On the Town, Candide e, acima de tudo, West Side Story, foram grandes sucessos
O musical West Side Story, estreado em 1957, acabou por tornar-se a obra mais célebre de Leonard Bernstein. Inspirado em Romeu e Julieta, transporta a tragédia de Shakespeare para uma Nova Iorque contemporânea, abordando temas como o amor, a violência, o preconceito e o conflito entre comunidades. Esta obra inclui algumas das melodias mais conhecidas de Bernstein, entre elas Maria, America, Tonight, Cool e Somewhere.
Mas Bernstein nunca deixou de procurar reconhecimento como compositor de outros géneros que não apenas o musical da Broadway.
Nas suas três sinfonias — Jeremiah, The Age of Anxiety e Kaddish —, bem como em Chichester Psalms e Mass, encontramos um compositor preocupado com questões de fé, dúvida, identidade, sofrimento e esperança. Mass, estreada em 1971 para a inauguração do Kennedy Center, sintetiza a vontade de juntar música erudita e cultura popular, tradição religiosa e linguagem contemporânea.
Como maestro, Bernstein teve uma carreira internacional de enorme importância. Foi diretor musical da Orquestra Filarmónica de Nova Iorque entre 1958 e 1969 e dirigiu algumas das maiores orquestras do mundo. As suas interpretações de Mahler influenciaram e contribuíram para o renascimento da presença da música de Mahler no repertório internacional.
Leonard Bernstein foi também um extraordinário comunicador levando e explicando a música, numa linguagem acessível, a milhares de pessoas. Com a Orquestra Filarmónica de Nova Iorque, apresentou durante 14 anos na televisão (entre 18 de janeiro de 1958 e 26 de março de 1972) os Concertos para a Juventude (Young People’s Concerts). Os primeiros 15 episódios tiveram lugar aos sábados de manhã ou aos domingos à tarde. Devido ao enorme sucesso cultural e pedagógico, a CBS passou o programa para o horário nobre noturno. Os episódios finais regressaram ao horário dos domingos à tarde.
Leonard Bernstein gostava e possuía uma grande capacidade de explicar conceitos musicais de forma acessível. Conseguiu transformar a figura do maestro num comunicador e professor. As suas principais características, a energia, a espontaneidade e o entusiasmo, fizeram de Leonard Bernstein uma das personalidades musicais mais marcantes do século XX.
A sua vida foi igualmente marcada pelo compromisso político e humanista. Bernstein envolveu-se em causas relacionadas com os direitos civis, a paz e a defesa da liberdade, e a sua identidade judaica e a sua relação com a espiritualidade ficaram patentes em grande parte da sua obra.
Em dezembro de 1989, poucas semanas depois da queda do Muro de Berlim, Bernstein dirigiu a 9.ª Sinfonia de Beethoven em Berlim, num concerto histórico celebrado como símbolo de liberdade e reunificação. No lugar de Ode à Alegria, Bernstein apresentou-a como uma ‘Ode à Liberdade’.
Leonard Bernstein morreu em Nova Iorque a 14 de outubro de 1990, aos 72 anos.